terça-feira, 18 de maio de 2010

Chevalier me fez paixão. Estou namorando o Dicionário de Símbolos. E esperando pelo romance com a vida.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Poemeto Hermético.

Já não sei donde
são feitos os calos dos pés
quando
a mente faz a predominância estática.

Peguei o band-aid velho que descolava
no calcanhar de Clarisse
, ajoelhei em pé
e
me senti Oyassama.

La rue 16 Lile pisou me mim. E
não pude dormir tranquila
a noite
só
por querer o bem.


Quedei-me sete
, levantei oito.

Ajoelhei-me em pé e me senti
Oyassama

.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Narrativa.

Estava eu numa escola, numa E.E., nem como uma medrosa aspirante a professora, nem como a aluna que fui e que vi nos jovens que passavam.

Eu, sentada, num banco duro e velho recém pintado lendo A Maçã no Escuro, observando o ambiente simultaneamente.

Um garoto da oitava série sentou-se ao meu lado. Boné, bermuda e agressividade. (É o máximo quando parecemos ser mais fortes perante os menores. Provavelmente espancou algum aluno de série anterior a sua.) Era eu ali uma peça do cenário para ele; era ele ali um futuro aluno meu.

Lá estava eu, sentada, num banco duro e velho recém pintado, lendo A Maçã no Escuro.

Uma mulher com cara de mal amada gritou com ele como se grita como um mero delinquente.
(Como se pode publicar frases que dizem que os 'sem luz' são o futuro da nação...?) Ela disse que era pra ele ficar sentado no banco e que ficaria ali a tarde toda e que daria um livro para ele ler a tarde toda, como se fosse uma punição dar livros aos jovens. (E infelizmente hoje em dia é.) Quis gritar.

Lá estava eu, sentada, num banco duro e velho recém pintado lendo A Maçã no Escuro e uma outra mais mal amada disse alto com dois outros alunos da quinta série que brigavam pela segunda vez que a Escola não tem nada a resolver sobre o comportamento dos alunos, que a escola é um lugar de estudar apenas, que se deve chamar os pais e que eles se resolvam sobre seus filhos, que a dona Escola não tem nada a ver com isso. Quis gritar.

Alors, a Escola é um lugar que contratam um monte de mulheres mal amadas que não querem resolver nada, que só quererm passar a bola para os pais e a mesma coisa fazem os pais que dão todo o peso da educação para as escolas.. Quis gritar. Se sozinhos os pais soubessem educar seus filhos, já o teriam feito antes de darem trabalho aos profissionais de uma instituição de ensino, não?! Quis gritar.

Como poderia me concentrar numa leitura se fazendo isso eu teria que descartar o meu redor? Não, não poderia. Ou poderia. Poderia sim. Mas de que valeria mergulhar-me em toda a sensibilidade atmosférica de Clarice Lispector se eu me tornasse insensível com a própria vida que me ronda ao redor para isso?

O menino da oitava mandava a coordenadora do ensino fundamental se foder pelas costas e queria sair e queria fugir e atirava sua mochila com agressividade e a chutava e chamava aquele lugar de lixo. Quis rir. Rimos do absurdo quando não sabemos mais fazer cara de espanto.

E quase sofri uma epifania. Uma epifania dura e áspera que jamais me faria alcançar o nirvana. Uma epifania que fosse um balde de água me acordando de forma dolorosa. Mas um quase não é um todo. Foi como um orgasmo inverso interrompido.
.
.

Alors aquela mesma mulher, com cara de mal amada e que fora mandada se foder pelas costas, se apresentou a mim como se fosse o amor em pessoa. E eu demorei mais de uma hora para ver algo que duraria menos de quinze minutos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A paixão ...

Derniére anée de la faculté. Cheguei atrasada numa palestra de filosofia básica para acadêmicos. Me injuriei, assinei a lista de presença e fui embora. Ia ver Mônica Rodrigues em Diadema City. E fui.
Sentei num banco do tróleibus no lado da janela. Tinha um cheiro de mendigo lá. Não tampei o nariz, eu pensei: é isso que nós somos.
Peguei outro ônibus na outra estação. Sentei na janela. Sentou uma velha gorda do meu lado. Com ela veio um odor de genital mal lavada misturado com sabão em pedaço. Ela segurava com as duas mãos o ferro do banco da frente como se não tivesse equilíbrio algum e como se aquilo a protegesse de um acidente ou freiada forte. Suas unhas tinham esmalte escarlate saindo, descascado em todos os dedos. Mão enrugadas. Sentindo seu cheiro pensei: é isso o que somos. Vendo suas unhas pensei: E para que a vaidade escarlate? Que sentido faz?
Seu cheiro e o abafado do fim de tarde me faziam achar que estava comprimida à janela, mas não estava. Sua coxa esquerda estava colada à minha coxa direita,, e estava suada. Parecia que eu estava comprimida, mas não estava.
Finalmente levantou do banco e desceu. Com ela não foi todo o cheiro. Parecia que o banco exalava a presença que o ocupou. O abafado de fim de tarde, o banco que fedia a genital mal lavada, o banco do tróleibus que fedia a mendigo. Eu sentei no colo do mendigo. Eu toco na mão do mendigo e do criminoso quando pego no fone do orelhão. Quase sempre, quase sempre ...
Qualquer um que não tome banho terá aqueles cheiros. Cada um que use sabão em pedaço ou Jean-Paul Gautier.
Não evitei, sentei no mesmo banco que aquela mulher. É isso que nós somos. Me senti G.H.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Au plus tôt, aucun de moi voulons penser pour qui n'esxintent. Et les possibilités sont porcions invisibles qui pouvons salir yeux...Maintenant... Tout de suit
, amour

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um cego mascando chiclete...

11/03/10 [en la faculté]


Não me segurei como o costume quase diário. Ele caiu da mente absorta pra essa mão esquerda que se enclausura no desafio de 'não-agenda' em dois mil e dez, o amor.

É mais fácil que eu cale a boca e endureça a língua do que que não escreva absolutamente nada, nem sobre besteiras que fico a pensar muitas vezes.

Eis-me aqui: morrendo nesta folha de fichário que teria a sorte de ter o preenchimento quase que desinteressado sobre alguma aula. Pourtant, desde os meus doze anos, eu ouvi dizer que não se pode prever o que é mutável ..

Mesmo tendo tal consciência, tive que errar muito pra perceber que não devo afirmar com tanta veemência as coisas.
Um exemplo? O amor.

O famoso amor que é um cego mascando chiclete e ignoramos. O famoso amor que faz os adolescentes se acharem poetas. O mesmo amor que pede provas, sendo ele um inevitável infinito-abstrato.

Como podemos jurar o sempre? Por isso que agora dizemos conformados que 'o sempre acaba'.
Somos lindamente hipócritas pelo hipnotismo. É lindo jurar por daqui a dez anos só porque parecemos sentir por mais de uma vida...

Não sabemos o que vamos comer amanhã, mas temos certeza plena daquilo que haveremos de sentir pro resto da vida... Por causa do momento.

Que eu seja 'dura, 'amarga', 'rude', mas hipócrita jamais.
Não que seja hipócrita aquele que não enxerga por não enxergar, mas se viu, aliás, se ouvir, com a própria voz que é feita na cabeça quando lê as palavras minhas, e se permitir ser cego vendo... Eu-não-perdoo.

Não prometo mais o que não sei. Você promete?



Posso dizer que amarei pro resto da vida quando souber que hoje morro. Et quelque autre chose.

terça-feira, 9 de março de 2010

Inutilidade no meio da tarde.

Dizem que o dicionário é sempre útil. O meu sempre é às vezes em quase tudo. Quando não é às vezes, já acabou.

Eu quis cura. Restou procurá-la no dicionário.

A cura lá é ato ou efeito se curar(-se). Curar é restabelecer a saúde (de).
Ter saúde é estar em bom estado físico e mental cuja qualidade vem do que é são ou sadio. Ser são é ser aquele que goza de boa saúde. E o sadio também.

Pensando que quem tem a saúde reestabelecida, o curado, se opõe ao doente, acabei vendo que o doente não é aquele que não é curado, mas aquele que tem doença. Débil, fraco, enfermo. pop Apaixonado.

Espero nunca dizer que o dicionário da língua nativa é um companheiro de masturbação mental. ..