sábado, 27 de fevereiro de 2010

...

Hoje eu tive um choro circunflexo. Seu topo partiu da agudez da dor que explodiu em raiva. Eu vi ódio nos olhos, eu senti o desprezo por mim no olhar que me agarrava a gola da camisa..

De fato quero me calar.

Acordei após ter dormido bem mal no meio de um sonho em que me preparava pra brigar.. Não sei se pra defender um outro ou eu mesma. Acordei aborrecida, com os olhos ardendo em sono, pensando sobre promessas.

Promessas são dívidas não pagas. Já estou devendo sem prometer muitas coisas a vida toda. Comme tout le monde...
Promessas nos impõem, transformam prazeres que deveriam ser naturais em obrigações. É isso o que são. Alguém me prometendo jamais me fará feliz... Por prometer ... Justamente por 'prometer'. É compreensível.

Vi minha vida escorrendo pelo ralinho da pia do banheiro quando eu estava debruçada. Meu humor não poderia ser outro.

Quero me calar. Quero um templo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O²

As notícias cotidianas são de embrulhar o estômago. Faço refeições vendo Jornais. A resistência física parte da psiquíca. Evidente. Pratico celibatos quase diários quando chego num estado além de tentar. Mas isso não é importante. Esse não é o fato, não é o ponto. Não.

Objetos Submersos Não Identificáveis me chamam a atenção como os Voadores Não Identificáveis.. Nem sei se são Objetos, não nego mesmo que não tenha visto por não duvidar, mas não me importo. Céu e água é o mesmo pra mim.

Respiramos o mesmo ar que Da Vinci talvez. Os mesmos milhões de átomos moleculares.

Eu preferi sem dúvida alguma a tortura cruel daqueles que merecem a punição. Então ouvi na aula de Literatura Brasileira que estamos aqui, respirando o ar destes neste momento... Não vou concluir tão cedo, se chegar a concluir.

Estudos comprovam... Está comprovado cientificamente os átomos ou sei lá o que que respiramos e que respiramos. Mas se não tivesse sido não poderia eu dizer e ter autonomia disso?
O amor não tem comprovação científica que não se valha de manifestações fisiológicas.. Só alterações tão comprovadas quanto pressão alta ou gripe. Ah e tem também alterações psíquicas... Mas não se comprova de fato e ninguém contesta que não exista com o mesmo furor que crucificariam um novo Jesus quando já se teve um...

Ah, e quantos Jesuses não morreram... Talvez até mesmo queimados ??

Que seja. Eu amo.




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Whisky com guaraná e gelo


Sei que levo carimbo de boi invisível no dorso. Sei que tenho marcas por tanto ímpeto que me vem como explosão dentro de mim, desde sempre. Eu sei que sou um exagero que prega o meio termo. Mas só desejo num querer tamanho até então.

A incerteza do talvez amarra minha garganta. Torna minha língua incapaz. E a boca sela a mente absorta colada na parede do quarto como foto antiga de uma lembrança inexistente.

Queria saber desenhar de verdade para não ter que falar palavra. Eu queria sabe pintar todas as cores só com grafite de lapiseira. E então jamais simular revelar o inexplicável com a inexatidão de uma metáfora.
Eu queria não ter olhos por um décimo de segundo. Nem jamais quis ver o que fala a boca dos olhos de um gesto quando ele dói.

Ainda assim, quando em silêncio fico com almofada comprimida à face. Achava eu que o silêncio era pros sábios. Mas quando silencio, solto; quando falo mato.

Talvez a sabedoria não esteja no silêncio, mas nas horas certas de falar e se calar.

Se calar não é ficar em silêncio. É não dizer.

domingo, 6 de dezembro de 2009

É madrugada. Qual é meu mérito de estar em pé antes do sol raiar, e qual é minha vergonha de sentar antes do almoço se não há motivo, nem platéia?
De que vale a impecabilidade sem palco? Muito. Mas esse muito cansa às vezes. E "às vezes" é muito e muito quando parece não haver sentido nenhum nisso.

"Montanha Mágica" fascina.
Eu quero um dia e sol e um copo d'água.

Não sei se meu pai vive. Minhas falas de que tive traços de ensinamento de secura e observação oriental me perseguem aos lábios até nos sonhos. Só nos sonhos pra que eu diga algo por estes dias...
Não tenho dito tanto a ninguém.
Me foi ferida exposta ver meu pai sem me ver. Numa cama encurvada como num campo de concentração de operados de peito aberto.
Desejaria eu ter o peito aberto sem saber dizer "eu te amo".
De qualquer forma julgo ter a dor te ter sabido (e isso ser vão), e tenho que disfarçar um pouco.

O pouco é quando vejo alguém. E tenho evitado ver pessoas.

Tenho que dizer que está "tudo bem", mas acabo não dizendo porque não sirvo pra isso. Meu pai servia, mas nem me reconhece... Meu pai só quer dormir. E eu nas madrugadas estranhas em meu quarto... Que vem mudado muito, e eu talvez não.

Minha mãe tinha ciúmes de meu pai quando eu era criança. Agora ela acha que faz mais por ele que eu.

Não sei medir ajuda, quando não se pode fazer nada. Não sei rezar, tampouco julgo saber agradecer.

Julgo ter mais do que mereço, mas não sei não ter se já tenho. Não sei senão que ter um pai cruel é pior que ver a crueldade franca de seu pai olhar disperso em seus olhos cheios de fios e agulhas e não saber quem és tu.

Como posso dizer isso a quem esbarro na rua? Não posso porque não é necessário. O mundo não pode parar porque algo na vida para. Mesmo que o mundo seja parte da vida e a vida parte do mundo. Não pode. E dói. As pessoas giram. Não sou muito. Nem nada pros outros e massa pro mundo, mas ele não para porque estaciono meus pensamentos absortos no não-reconhecimento, nas não-façanhas... Je ne sais pas.

Há um fogo absorto que queima sem arder as pontas de meus dedos sem brasão. Só escudo sem sentido. Sentido. Que queima sem arder.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ao nosso querido Ms. R. Willians...

Ah... Não que eu venha a estudar a etimologia das palavras, mas, até onde posso notar, "stripper" é um termo da língua inglesa e não da latina. Dá para notar, será?
Bem, se dá, se é tão óbvio que "stripper" é um termo que melhor se encaixa nos EUA, não tenho tanto a dizer sobre isso. (Inclusive os poetas americanos e os celebridades "pop" em seus saraus cheirariam mais de mil toneladas numa unica noite nalgum sarau daqueles atores que fazem filme e não arte..).

Ah...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Parte VII - [Final]

Só há lembrança se houver tempo. O tempo é o maior remédio; as lembranças: o veneno.
A diferença entre o veneno e a cura é a quantidade.
Sim. Sabemos.

Sabemos que ficar bêbado parece mais divertido aos sóbrios. Não?! Já não sei tão bem, não bebo. Sempre achei engraçado ver os que bebem, teóricamente até entenderia melhor.
Vi estudos que dizem sobre a forma do cérebro trabalhar após a ingestão de álcool e o seu desenvolvimento quando seu portador fica ébrio. Já ouvi falar muito. Já vi muito.
Podem dizer que vivo em ressaca sem ter provado. Vejo os bêbados e os acho patéticos, por isso não senti a necessidade de me embriagar. Sou cônscio de que é melhor nunca provar que sentir o sabor e depois ter que me abster. Foi o amor que me ensinou isso...


Encarar as pessoas têm sido o meu desafio diário, porque isso me faz ter que encarar a mim diante delas.
Hoje eu sonhei que matei novamente. Não foi um pesadelo.

(pausa)

Por acaso você teve leite materno? Pois bem, sua visão será diferente daquele que foi desmamado mais cedo e daquele que nasceu prematuro.
Minha vida foi prematura. Tornei a morte de outros prematura também... Mas não sei se posso ser um Deus por ter decidido sobre outra vida . Posso? Se não posso o que sou? Não era essa a minha intenção, mas será que Deus-todo-Poderoso tinha a intenção de ser? Achei que "ser" simplesmente fosse.
...Você não saberá responder.. não foi treinado para isso, não é?! Por isso matei de novo.

(suspiro)

Quero dizer que o que nos influi não é regido somente por nós. Mas não adianta pôr culpa nos outros fatores que nos somam pelo nosso resultado. Quero dizer... Mas não disse...
Você não é ninguém! Não posso te tocar! Se te toquei foi por palavras, mas as palavras não são recíprocas de verdade. Não pode me tocar. Você não é. Você não me toca. Só minha imaginação poderia fazer isso.

O espaço de tempo rege.

...Por isso matei de novo.
Porque "primeira vez" é a porta.
Tendo a chave em mão não podemos resistir às fechaduras.
Sabemos que não podemos, mas podemos negar isso a nós mesmos se incomodar o poder.
Deve mesmo incomodar "o poder" para quem quer ser Santo.

Ah !
Não aguento.
Estou fragmentado.
Não aguento.
Estou acabado...

Fui longe demais. Minha sinceridade vazou depois de tantos anos, fugiu de meu controle. Franqueza é dádiva? Até mesmo as dádivas quando em excesso viram pecados. Então, além de um criminoso, sou pecador. E você só um padre.

Fui longe demais. Ficou mais longo que pensei porque disse o que penso (não o que tinha de dizer..). Vou transformar tudo isso num texto, que acha? Assim que me matar, eu escrevo.

domingo, 6 de setembro de 2009

Parte VI

Já amei muito também. E isso é uma das coisas mais cômicas de minha vida. Eu já perdoei muitos erros porque imaginava que não estaria livre de cometê-los, afinal sou humano e acreditei nunca me esquecer disso, por mais que eu ponderasse minhas vontades mais intensas na vaidade da perfeição.
Eu acreditava em santos. Todos os meses acendia velas de sete dias, que duram três, e orava por aquelas imagens alvas e ternas..., mas na verdade orava por mim. Os clamores existem pelo interesse que nossas necessidades nos causam, eu confesso.
Temos muito mais maneiras de como demonstrar a tristeza e dor que felicidade.

Quando vi minha condição de homem me encarando explictamente e decidi deixar de ignorá-la, fiquei num dilema se a negaria mais uma vez e sentiria aquela sensação da falta de alguma coisa, mas com a grandiosidade que a resistência nos proporciona, ou se aceitaria de uma vez por todas para me libertar de mim mesmo, de minha falsa santidade, de uma imagme que servia para minha sobrevivência e, ao mesmo tempo, me matava.
Quase me mataram quando decidi viver. Era tão bom quanto dolorido, como contar a verdade sendo ela dura.


Enfim, eu amei... E por desgraça fui correspondido.
Nesta época de vulga cegueira eu já enxergava a verdade. Achava que a grandosidade de um sentimento fosse capaz de fazer com que as pessoas perdoassem em seus elegidos amados o que não perdoariam nos outros. Isso é vestígio de grande ingenuidade. Para ser ingênuo não precisa ser inocente, basta acreditar. (Acreditar é a chave.)

Com este mesmo caso de amor, aprendi que a mentira é necessária até mesmo nos momentos mais sinceros. Parece absurdo, mas é verdade. (A verdade costuma ser absurda porque não convém ..)
Entende agora? Entende por que fui queimado pelos meus próprios padres de confessionário? Espero que não seja o seu caso..
De qualquer forma, aprendi a ser santo depois de queimado, como Joana D'arc.

Hoje em dia, minto quando me convém. Isso não me impede de ver a verdade. E não me incomodo pelos outros, alguns chamariam isso de frialdade se soubessem.
Vejo a perfeição caminhar lado a lado com a frialdade. Quem não sente dor, nem paixão, nem libido, nem raiva, nem inveja, nem possui tendência a quedas pelas tentações, nem vícios, nem tem medos, nem aflições, nem muita fome ou doença, nem sofre e consegue encarar as hediondas injustiças cotidianas de forma pacífica, está em via das condições de ser perfeito, no mínimo canonizado se não puder se livrar de suas compaixões e sofrimentos.

Eu precisei ser uma Joana D'arc varonil.
Varonil? Desculpe-me. Termo pouco usual, não?! Varonil vem de varão, termo que indica masculinidade, encaixando-se somente a homens mesmo, assim como virilidade é típica de homem. Usei isso para que não me julgasse por ter me comparado a uma mulher, afinal qualquer coisa besta é motivo para piadinhas de enrustições gays. Isso é bem pejorativo à imagem do homem perante a todos, como se hoje em dia houvessem cavaleiros medievais com seus brasões e títulos nobres para honrar... Nem isso temos, mas honramo-nos aos olhos até de quem não nos verá nunca mais. E esta mesma sociedade prega que não devemos ter preconceito...

Mas esqueça, a verdade é absurda. É claro.