terça-feira, 2 de julho de 2013

WHEN I ARRIVE AT HOME

QUANDO EU CHEGAR EM CASA
 
Como uma lagarta de fogo
minha respiração
queimará
a mão de tua alma
 
Assim que eu chegar ...
 
Como uma lagarta de fogo
Sussurrarei palavras rastejantes
e serei
a borboleta que jamais
pude ser em vida.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

DESEMPREGO

Vou pintar com meu hálito de álcool
minha imagem e semelhança suja 
no espelho.
Vou pintar com meu hálito sujo de álcool
o amarrotado de minha camisa
e de todas as roupas amontoadas na tábua.
Eu vou comprar mais álcool com esse álcool
que comprei sem dinheiro
e pintarei as poesias das paredes
dessa caverna alugada
desse casulo com prazo de validade
E vou tirar o pó que cobre o violino
para escondê-lo entre as páginas de um novo livro
que compõe tédio sem melodia
a cair em cada gota imunda
do hálito de uma infiltração que penetra
em meu cérebro
Penetra no lobo frontal de minhas incertezas
que sempre ressuscitam de tudo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

MEU AMOR,


São Paulo é assim:


Tu tampas os olhos das narinas
E fechas a alma sob a chuva seca
de trióxido de carbono
E então tua alma perambula
Permeando a grama de asfalto sujo
Nonde a grana é sugada 
Pelos olhos sem membrana
que borbulham rasgados
em cacos de passos
perdidos na espera
corrida e distante
sempre tão perto de tudo
Sacada de Estrelas


O nuance dos traços do teu corpo
gostosamente inerte se dissolvendo
na fumaça do cigarro estrelado
sorvido em goles de vinho
e em goles de...
Teu frio escorrendo no teu suor
Transpirado
Transfigurado em carícias e desejo
na tua saliva
dizendo meu nome tão nosso ...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fim de Fevereiro

Com tantas coisas
me deixo ao luxo de
parar
Pra impensar
os segundos que escorrem 
da janela
No cheiro do gole
que agora me equivale a garrafa
quebrando minha cabeça
em mil e treze peças
teatrais
no corre-corre ignorante paulistanês
me dou ao luxo de.
Parar no trânsito
de minha vida renovada
das cartas vencidas
Pago minhas multas
sem sanar minha vontade
de atropelar
os carros da faixa de pedestres
Dou-me ao luxo 
do inevitável engarrafamento de existir
Mas ainda pegarei estradas
retas e desertas
onde o motorista bêbado
me ultrapassará com seu hálito
e capotará
Me dou ao luxo de.
Ser assassina com os pensamentos
enquanto morro de
pânico ao andar nas ruas
vazias como
a engenharia de nosso passado
estruturado por órfãs e fascínoras
salivando meu nome anônimo
que impensa
tão inutilmente 
como se pensasse.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Teacher

Bebi Litros de sol
Almocei maçã
Fiz regime de condição
depois de meu banho
de transpiração doce.

E o aluno ainda queria
que eu sentisse dózinha
de sua vontade de ir ao banheiro.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Trem

      Um cara sem pernas percorre o trem numa prancha de rolemã. Uma mão empurra, a outra chacoalha as moedas numa caneca: Ele vende piedade.