Bandidos dão gravatas por trás
Bandidos usam gravatas
E esse nó aperta mais uma garganta cortada
no grito
de um rito de inquisição social
Enorme bola de fogo que escurece a Terra enlameada de suspiros incandescentes
marchando de esguelha ao pé d'ouvido
cheio de olhos de peixe
e nadadeiras afagadas
em micose rouca
inquietando um vazio
eternamente delicado em nós.
E então nossa conexão cai
E a televisão fica ligada
em qualquer canal
para sumir falsamente
a angústia que abre porta de geladeira e armários sem
1
por
que
Em nossa vida germinada e lutada por uma sustentação em nome de algum motivo-objetivo que inventamos
sem 1 por que.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Decaptalismo
Estou cansada
de fazer poesia de choro hemorrágico!
Entre machado e trovão
cabeças decapitadas lambem
a violência animalesca
que não mata fome
e forma
um insentido sem fim
de micróbios malévolos.
E eu uso incompreensíveis imagens doidas
de palavras
para gritar no sussurro escrito
a verdade
que vejo
e dos olhos
corta
a
garganta
enforcada nas veias da artéria aorta.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Um gole sobrevoando o abismo
I
II
Quatro estrofes, quatro cantos do mundo. Cantos desafinados. No desalinho do pensamento. Vozes me dizem que.
Temos 5 sentidos e não encontrei 1.
Mas Norte, Sul, Leste e Oeste são quatro. Multiplicados por + quatro, cada um em ângulos retos que dão círculo. Girando um nada-mais-importa que dá alguma "poéticagem" indizível no divisível do momento qualquer em solitude que bebe em taça algum chá com choro segurado dando nesse nada bonito. Nada que já não tenhamos visto por aí.Mais lindo se ininteligível em discurso cênico. Nonde plateia é atores especialistas na arte de aplaudir quando acabar...
E fim.
Hortelã na linguagem
Um gole sobrevoando o abismo da deturpação espiritual que separa o corpo da carne.
Isolamento de imagem
Um pedido para ser invisível no abismo da deturpação espiritual que separa a carne da pele.
Rendição de passagem
Um bonde do futuro a percorrer trilhos que descarrilham meus pensamentos em nome da sensação que separa a pele do arrepio.
Paisagismo em triagem
Um quadro vivo pinta com tintas sujas manequins obesos. E com dor contorna a deturpação espiritual que separa o arrepio da sensação; a linguagem do paladar; a unha da carne; o corpo da pele; a sensação do grito. E o sentido disso tudo.
II
Quatro estrofes, quatro cantos do mundo. Cantos desafinados. No desalinho do pensamento. Vozes me dizem que.
Temos 5 sentidos e não encontrei 1.
Mas Norte, Sul, Leste e Oeste são quatro. Multiplicados por + quatro, cada um em ângulos retos que dão círculo. Girando um nada-mais-importa que dá alguma "poéticagem" indizível no divisível do momento qualquer em solitude que bebe em taça algum chá com choro segurado dando nesse nada bonito. Nada que já não tenhamos visto por aí.Mais lindo se ininteligível em discurso cênico. Nonde plateia é atores especialistas na arte de aplaudir quando acabar...
E fim.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
NO THING FOR NOTHING
Ramiro refletia sobre o que as igrejas diziam. Refletia como espelho sujo sobre qual seria a sua missão no mundo.
Ramiro não sabia que os seus passos vagarosos atrasavam trabalhadores. Não sabia que um instante muda silente vidas mudas.
Num dia de chuva qualquer Ebony Silva, a moça mais branca que já vi, perdeu um minuto e um carro veloz passou de sacanagem numa poça que imundou ainda quando o semáforo estava amarelo. Ela era muito sensível, para não dizer que era fresca, e foi chorar em casa sobre a roupa enlameada, a chapinha desmanchada...
Ebony nem imaginava que seu prédio explodira naquela tarde. E Ramiro estava lá. Foi Ramiro que roubou a minuto dela.
Ramiro roeu a roupa do rei de Roma sem saber. A missão dele era essa.
Ele viveu banalmente. Poluiu, consumiu e produziu muito lixo. Só. Para salvar aquele instante.
Ramiro é qualquer um de nós. Emaranhados.
domingo, 3 de julho de 2011
Filha do Pai dos Pescadores
(à Elisângela Melo)
Teus discursos em palanque de mesa de bar
transfusando ideias e ideais.
Tuas análises arquetípicas certeiras
...Lendas reais
Orixás de carne e osso se beijam
no lado esquerdo da cama
,debaixo do livro dedicado a você
que não escrevi
sábado, 2 de julho de 2011
ABRIL
Dois mil cento e cinquenta e seis desculpas para manter o que a vida mantém em mim. A falta de escolha exigentíssima. A necessidade de ser necessária dando em nada. A escolha de ser escolhida pelo que se escolheu no final das contas. Nada. Uma porção de coisas que não dão lucro servidas em bandeja de boteco. Que não se definem nem numa história concreta para se narrar aos netos que jamais terei. O lusco-fusco. O não.
Caem os maus concretos de uma história nada sólida recheada de aventuras. Uma, duas, três, mil. Mil e treze raízes amargas para se tragar no copo sujo do bar. Da esquina de meu país que tem palmeiras, botafogo, conrinthians, flamengo, cruzeiro, bem Real..
Meu país tem zero vírgula cento e cinquenta e cinco (sem trema) de aumento... só de aluguel. Só neste mês. Mas que chato! Tomar raízes amargas e falar de números e sentir na língua a vida pela garganta que quer falar, pela garganta que escreve. Símbolos ininteligíveis gramaticalizados. Subordinados. Subjetivos. Adversativos. ...
Vamos é tomar uma cervejinha, botar fogo nas palmeiras cheias de flamingos onde não cantam sabiás. Que tem no estádio em construção. Eterno estádio de choque... Com mulatas louras de todas as raças em qualquer esquina do meu país feliz! Vamos chupar drops de anis!
E esquecer a raíz das palmeiras. Raíz redonda. Do país sem puta que pariu.
Caem os maus concretos de uma história nada sólida recheada de aventuras. Uma, duas, três, mil. Mil e treze raízes amargas para se tragar no copo sujo do bar. Da esquina de meu país que tem palmeiras, botafogo, conrinthians, flamengo, cruzeiro, bem Real..
Meu país tem zero vírgula cento e cinquenta e cinco (sem trema) de aumento... só de aluguel. Só neste mês. Mas que chato! Tomar raízes amargas e falar de números e sentir na língua a vida pela garganta que quer falar, pela garganta que escreve. Símbolos ininteligíveis gramaticalizados. Subordinados. Subjetivos. Adversativos. ...
Balela!
Vamos é tomar uma cervejinha, botar fogo nas palmeiras cheias de flamingos onde não cantam sabiás. Que tem no estádio em construção. Eterno estádio de choque... Com mulatas louras de todas as raças em qualquer esquina do meu país feliz! Vamos chupar drops de anis!
E esquecer a raíz das palmeiras. Raíz redonda. Do país sem puta que pariu.
Vanessa das Morais.
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