domingo, 10 de abril de 2011
Rosa Pensamento
Pousa na prosa a rosa efêmera dos teus lábios nos meus braços quando acordo acordada, amada, largada sem os laços e toques que o espaço largamente distante desfaz no instante.
domingo, 27 de março de 2011
a João Cabral de Melo Neto
I. Passagem andreense
Mia na corrente aérea monoxidal de minha cidade
o desejo espesso
do sangue de mulher
Uma vez por mês
de todos os dias
A miséria amarga
esquecida
em magra cadeira de padaria
O fino luxo. Esbelto de fome.
Anônimo nome que pesa menos
que a pena de avestruz
que mede menos que o coração
Encargo diário descendo
como rios de chuva
mar de morros
Lava. Lama. Love.
Move como urubu sem pêlos
a pousar na sorte final
dos pesadelos
Corrente pluvial do Rio
da Av. dos Estados
Momentâneo mangue do dia seguinte
Também limita as vidas
passadas pela presente vinda
enchurrada
no amarrar da existência
Amar o futuro acima de tudo
Acima das seguras pontes altas
A falta
Mia nos telhados dos apartamentos
Mia
A inspiração poética miserável
que pira, que dorme
na insônia depois do cotidiano agitado
Dorme calado. Dorme-se.
Conforme se consegue.
II. Paisagem andreense
Três estações diárias
compondo lendárias histórias
reais que formam crônicas
de poetas regionais
Liberais conservadores
salvadores da cultura dissolvida
surfadores da chuva sem saída
No resolvido caráter ideário
imaginário sonhar
no itinerário do trem
que vai e vem
mas que não chega menos
além de antes de Paranapiacaba.
Lendário cambuci nada inglês
na vila de casas de cores
e amores uniformes turísticos
evaporando lembranças jovens
que transpiram asfalto cinza
grafite
como o ar que respira
a asma secular de vinte e poucos anos
Profanos sonhos de alma humana
a de possuir
vida simples na complexidade urbana
Na neblina que bate suave
mas toca igual
Na chuva que sobe escancarada
e sorrateira
Como vil metal
No pensar que desce e sobe
com o sol que pinta sem tinta
o céu, animal no alto do morro
de qualquer bairro
central ou suburbano
sub-urbano lateral
sub-urbano lateral
Das mesmas nuvens que sobem cinzas
como o copo sujo do bar
do trabalhador que toma uma,
ou duas, ou três para aguentar
na anestesia da lama sem mangue
No barraco de pau sem pique
Templos egípcios latino americanos
nada indianos, nada índios , nada europeus
nada negros nem amarelos
E de todos.
III. Cotidiano de raíz
Uma fruta irrefuta à essência
miscigenada, dita misturada,
mas de nada mesclada,
é o gozo da prostituta
num dia de muito lucro
no sorriso miserável
para seguir adiante
no script coadjuvante
do papel social
nada reciclável.
Social vida de novelas ideais
que cada dia mais
faz o capítulo
com a expectativa de fazer
sobreviver a parcela
da inevitável existência
Da espessa linha de ônibus intermunicipal
carretel no tricotar obrigatório de haver
de ser...
Essências de desejos menos
espessos que o sangue
do homem que valeria menos
o miar soturno no telhado
das casas simples
que habitam famílias complicadas
na mesma necessidade de existir
de não se extinguir
não se sabe por que.
E eu como flores e cheiro frutas
Bebo gotas no guarda-chuva
Que as árvores abortam
De semente que não semeia
Eu não broto
Eu não semeio
Eu exalo
(como plantas no ralo)
Eu não tenho raíz.
sexta-feira, 18 de março de 2011
ònà
Fulano de Tal patinou por toda a estrada horizontal-oval. Até que se deparou com uma encruzilhada.
Pensou "que pessoa mais ferrada eu sou... patino no meio do nada e encontro caminhos que exijam escolhas determinantes na estrada!"
Então decidiu invocar alguém para ajudar na determinante escolha. Pensou em invocar Exu por causa da encruzilhada. Mas, segundo depois, pensou em Orunmilá para ter melhor sabedoria na decisão.
...
...
...
.
.
.
Pensou.... Pensou... Oscilou. Voluvelmente...
Num repente, dentro das versões de caminho a ser decidido e as decisões de quem levaria Fulano de tal para o caminho mais seguro, veio uma borboleta que se transformou em sábio chinês. Esvoaçante cédiço indicou o caminho pedido para que fosse seguido.
Com o decorrer do caminho escolhido, Fulano de Tal começou a reclamar...E reclamar...E reclamar...
Então a borboleta pousou no ombro dele pelo deserto silvestre e disse:
- Te mostrei o caminho mais seguro, não o mais fácil.
segunda-feira, 14 de março de 2011
as it his wont to write
(como e de hábito de escrever)
Contain yourself
no vapor
seem the best
to be unrest
I am quest of the truth
Glass hope
Balance at rope
I've got to go
.skating in the sun
As cordas vocais amarraram
a língua da minha alma
que te ama em gestos . ..
WALKING AFTER YOU
O aviso
O vidro
O avesso
do Sul do Norte ao Sudeste
As fronteiras
trespassadas pelo amor
Os corpos atravessados
fazem as almas comunicar
suas misturas clandestinas
que se cheiram,
se beijam,
se sentem
, mas-não-se-to-cam.
terça-feira, 8 de março de 2011
STEP (distância a um passo) - version 2
The universal tongue
for a long time
kiss a crime que escorre
na sede seca
bebendo Cooler.
Estou a um passo
de ficar mais longe
long long long
and alone
to never see
my home...
sábado, 5 de março de 2011
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