quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Poema só, para E.M.


Quando não nos falamos
Sentimos a respiração
que não quebra o silêncio.
Sentimos o aborrecimento
dando vozes aos impensamentos...

Acordei hoje pela segunda vez
levantei só uma
com o sol
batendo na garganta dos pássaros
depois de duas meias noites

Bebi café já feito
Pelando tão morno
perto dos teus beijos amorosos

E cada gole preto
tem o sabor da bigorna
em cada Kilômetro
de cada minuto sem você.

IDEAL LOGIA

Você estuda para pensar. E pensar dói.
Você estuda para conseguir um emprego. E compete com as mais variadas personagens que também precisam existir.

Exist donc souffre.

A "cracia" é do demo.

Você é obrigado a votar. É obrigado a aceitar as notícias da TV. Jantar desgraças. Ver um obeso usando relógio de ouro falando da injustiça, do governo e da polícia.

Você é o livre árbitro que toma falta.

Você existe pra matar a sua sede tomando tiro de alguém que estudou menos do que você. A arma derrotou artes milenares.
Você é livre para não sair a qualquer horário. Para não protestar contra contra o aumento do preço das coisas perante a sua miséria. E para apanhar de cacetete que o governo, escolhido pela sua democracia, manda.
Você é livre para se ferrar conciliando trabalho com teorias que te sugam notas, come mal, dorme mal... Para alguém que estuda menos do que você ganhar para te dar tiros de bala de borracha.

Você deveria esquecer essa luta e entrar pro supletivo de "pau mandado" ao invés de levar pau a vida toda.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

CICLO DO MAR CÉU LOUCO

Omar longe das praias. Jamais ele no céu de fogo. Brasileiro oriental de Ogun.
Bode na sala. Espada sem jogo. Omar grita no concreto. Grita porque quer calar os que viraram seus subordinados por dependência. Merda de pendência financeira. Purgatório. Expiatório mas em ondas de crises.

Mér de homem frustrado mandando a mãe ignorante tomar no cu. Numa sexta qualquer. Num dezoito qualquer. Dum fevereiro qualquer. Dum dois mil e onze qualquer. Por volta das dezessete e quinze qualquer ...

O mundo não costuma fazer com que as coisas deem certo. E viver é difícil.

Quando as coisas são difíceis, ele te dá purgatório; quando as coisas dão errado, ele faz do existir inferno mais insuportável.

Omar está louco. Mas ele quer que você faça um tratamento.
Ele até se passa por normal como qualquer louco bem instruído.
Não dá para provar no BO seu olhar de animal carregado de ódio que só um homem pode ter ...
Razão louca de Penteu.

Enquanto ouço falar de filhos que, quando cresceram, defenderam a mão de apanhar mais , vejo Omar agredir a mão depois que cresceu.

E doem meus cinco sentidos, inúteis como minha singularidade.
Cheiro de encrenca. Hematoma. Gosto de derrota.

A mãe toma soda depois de tomar antidepressivos mais pesados que a cruz.

Omar está bravo. Omar está louco, mas ele quer que você faça o tratamento.

Omar só quer que tudo dê certo e todos sejam felizes. Por isso que ele odeia a todos. Omar paga o melhor plano de saúde à mãe que agride. Paga todos os remédios pretos. Berra, xinga, grita, humilha, estronda, corrompe. Pelo bem-estar-bem de todos os seus subordinados pela dependência. Depende.
Mas ele fez mais do que os outros filhos que só defenderam a mãe.

Omar sem praia.
Omar em ondas de inferno.
O Mar céu o.
Mar-céu louco.


O barulho da paz no mundo é o ronco dOmar. Do mar. Domar Omar sem amor. O mar, céu louco sem anjos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

SEMANA DE FREVEREIRO

O vermelho o vinho e o violino
Gosto de fumaça bordeaux
Evaporou na chaminé
da casa que jamais tive...

Virou chuva, virou barranco
Como um violento Rio em Janeiro
Solidificou a destruição
das casas que um dia tiveram.

Eu líquido, eu liquido sede
Ascendendo velas no suor
dos guarda-chuvas
dos dançarinos felizes
do eterno carnaval adiantado
do ano inteiro.


Pinga lágrima do Pierrot sul-latino americano de enxarcar os ossos no sertão da Groenlândia
que me deixa bêbada
Sem uma gota sequer

.Se quer

Intransfusa corrente sanguínea mascarada de Olinda

Da Olinda que corre em mim
Da Olinda que jamais pisei
Do sol que ferveu o ímpeto
do espírito
Da cidade da chuva
que não guarda
o vento que corre
na corrente do seu sopro montesclarense.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

TRAÇAS DAS DESGRAÇAS

A mulher mais perfeita do mundo mora no canto mais longe dele. Aquele que fica depois do abismo vitral econômico blindado. Blind.

Os pés caminham no impasse dos dias da vida purgatória que mais parece inferno.
Só náo param porque não são sós.
Só não param porque o mundo não permite.

Não permite que parem nem que avancem.


Os olhos marejam ondas de açúcar que derretem na tempestade azeda do viver ...

Existir é um peso. 64Kg de peso sisífico no absurdo de existir. 64Kg de humilhação recheada de regalias. 64Kg de suor nada lucrativo.

Às vezes meio dia, 63Kg de fome.

63.700g de sol ardido e roupa húmida
pingando na sede da garganta fechada. Da boca chorosa que, toda noite, beija a mulher mais perfeita do mundo. E a toca sorrateira como os suspiros das encantadoras madrugadas antes da meia noite no quarto sujo.

E as nuvens oníricas
roem como traças
a impossibilidade
de se realizar
um desejo simples.

domingo, 16 de janeiro de 2011

(Cadafalso cotidiano)

O sol me atravessando
Amorenando a janela

Um rór de ausência proposital-natural...

Cantos gregorianos enchendo de imensa
paz espiritual
o ritual de minha alma defumada
por Gregório.

Santa Joana, mulher
ouvindo vozes
que só poderiam ser do Deus
que a condenou
pela boca dos homens...

Eu teria morrido de coturnos
sem ir pra guerra.
Je suis le bataillon de (s)ombres
Eu sou o batalhão do grito em voz muda
Eu sou um batalhão de sussurros roucos femininos
(Em)Frágil corpo de moça
pedalando que nem o menino
que queria mudar o mundo
e agora vive em cima do muro
desmoronado de Berlin
com seu monociclo
perna-de-pau
fera sem domador
equilibrista aleijado
bailarina de perna quebrada
mulher barbada nua
sempre de nariz vermelho fosco
sendo passada pelas ruas
atuando ser indivíduo
sendo original
,comprando coisas que são "a minha cara".

...Olhando de auto o asfalto
noto tamanha a minha pequenez...
Só o consumo pode me amenizar...

Consumo de gastrogulofobia
Consumo orgíaco
Consumo artístico
Consumo pseudointelectualista
Consumo macumbeiro
Consumo rebelde-inspirador
Consumo ritualístico
Consumo mântricozemxamânico
Consumo ogan-na-pele
Consumo beatbossanova
Consumo Chico César Caetano Buarque de Hollanda
Consumo de notas não classificatórias
Consumo de notas sem escalas, bem vermelhinhas
Consumo do lance de dados de Beth Brait Alvim que
quando, se Deus quiser, virar bruxa...
Consumo do sangue que ferve pelo sol
da alma que habita essa pele desbotada-desabotoada
Consumo agramático de palavras
Consumo de muito etílico
Consumo pré-rodrigueano em Diadema
Consumo de ventos...
Consumo etéreo de mineira cética-perfeccionista ariana de Ossain
pra toda a vida...
Consumo de meu primeiro mestre,
velho tolo classe média,
matemáticofilosóficogramático
Cometeu suicídio aos poucos...

E o que estou vivendo, senão
uma destruição onde o fogo
me consome
em doses homeopáticas...

O sol amorena a janela
e me atravessa.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Montes Claros I

A língua submersa na falta d’água remedando

A interrupção do nada quebrantado

Cerveja frisando ininteligíveis injúrias racionais

A injúria da fantástica sucessão de dias belos...

Chove na terra do sol enquanto passo protetor.

Pele que sorri ao exalar

Hálito atmosférico

Longitude do asfalto que sussurra

A concisa rebeldia

Sem flor que brota de piche,

Sem pétalas declarando os malmequeres

Lá de longe por toda a parte;

O clandestino eterno do amor nos

Montes de cantos

Montes de beijos

Montes de sussurros sinfônicos em zelo

Montes Claros.

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Montes Claros II

O dia no fim da tarde começa.

Arde o sol tardio

Danço

E me visto de mulher

Natural

Vira complemento de l’amour

Sol na pele

Banho de música

Levanto a saia à alegria

Que me escapa na sucessão de dias belos...

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Montes Claros III

As estrelas de papel

que te dei quando cheguei

Voaram pro céu na minha partida.

Ida de eterno retorno

Eterno mar na sua pele de cachoeira

Línguas diferentes que se entrelaçam no mesmo país...

Nuvem de forma definida

Molha minha camisa

Me enxuga com o seu lençol

Para embalar os sonhos

Que escapam pela janela

Com meu cheiro

No incenso

Enchendo paradas e quilômetros

Fazendo do tempo que corre

Desconhecida cidade

Pisada sem caminhos

Na mais presente inércia futura


E as memórias passadas

Tornadas

Mortes Claras sem sacrifício

Sem crucifixo.