quarta-feira, 3 de março de 2010

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É o Silêncio...



É o silêncio, é o cigarro e a vela acesa.

Olha-me a estante em cada livro que olha.

E a luz nalgum volume sobre a mesa...

Mas o sangue da luz em cada folha.

Não sei se é mesmo a minha mão que molha

A pena, ou mesmo o instinto que a tem presa.

Penso um presente, num passado. E enfolha

A natureza tua natureza.

Mas é um bulir das cousas... Comovido

Pego da pena, iludo-me que traço

A ilusão de um sentido e outro sentido.

Tão longe vai!

Tão longe se aveluda esse teu passo,

Asa que o ouvido anima...

E a câmara muda. E a sala muda, muda...

Àfonamente rufa. A asa da rima

Paira-me no ar. Quedo-me como um Buda

Novo, um fantasma ao som que se aproxima.

Cresce-me a estante como quem sacuda

Um pesadelo de papéis acima... ......................................................................

E abro a janela. Ainda a lua esfia

últimas notas trêmulas... O dia

Tarde florescerá pela montanha.

E ó minha amada, o sentimento é cego...

Vês? Colaboram na saudade a aranha,

Patas de um gato e as asas de um morcego.

( Pedro Kilkerry )

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mélange

Uma melancolia profunda domina o céu. Sinto-me 'a mulher mais feliz do mundo' e a garota com a maior tristeza vaga e persistente ao mesmo tempo. Tempo que chove fino. Chuva de outono no verão que faz flores aromáticas invisíveis brotar na neve inversa de meus cabelos ...

Vapores de pulmão asmático exalam essa inércia. Uma agitação entorpecida que faz parecer engraçado tantas antíteses que não são contrárias, mas um único elemento miscigenado que ainda não deram nome.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

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Hoje eu tive um choro circunflexo. Seu topo partiu da agudez da dor que explodiu em raiva. Eu vi ódio nos olhos, eu senti o desprezo por mim no olhar que me agarrava a gola da camisa..

De fato quero me calar.

Acordei após ter dormido bem mal no meio de um sonho em que me preparava pra brigar.. Não sei se pra defender um outro ou eu mesma. Acordei aborrecida, com os olhos ardendo em sono, pensando sobre promessas.

Promessas são dívidas não pagas. Já estou devendo sem prometer muitas coisas a vida toda. Comme tout le monde...
Promessas nos impõem, transformam prazeres que deveriam ser naturais em obrigações. É isso o que são. Alguém me prometendo jamais me fará feliz... Por prometer ... Justamente por 'prometer'. É compreensível.

Vi minha vida escorrendo pelo ralinho da pia do banheiro quando eu estava debruçada. Meu humor não poderia ser outro.

Quero me calar. Quero um templo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O²

As notícias cotidianas são de embrulhar o estômago. Faço refeições vendo Jornais. A resistência física parte da psiquíca. Evidente. Pratico celibatos quase diários quando chego num estado além de tentar. Mas isso não é importante. Esse não é o fato, não é o ponto. Não.

Objetos Submersos Não Identificáveis me chamam a atenção como os Voadores Não Identificáveis.. Nem sei se são Objetos, não nego mesmo que não tenha visto por não duvidar, mas não me importo. Céu e água é o mesmo pra mim.

Respiramos o mesmo ar que Da Vinci talvez. Os mesmos milhões de átomos moleculares.

Eu preferi sem dúvida alguma a tortura cruel daqueles que merecem a punição. Então ouvi na aula de Literatura Brasileira que estamos aqui, respirando o ar destes neste momento... Não vou concluir tão cedo, se chegar a concluir.

Estudos comprovam... Está comprovado cientificamente os átomos ou sei lá o que que respiramos e que respiramos. Mas se não tivesse sido não poderia eu dizer e ter autonomia disso?
O amor não tem comprovação científica que não se valha de manifestações fisiológicas.. Só alterações tão comprovadas quanto pressão alta ou gripe. Ah e tem também alterações psíquicas... Mas não se comprova de fato e ninguém contesta que não exista com o mesmo furor que crucificariam um novo Jesus quando já se teve um...

Ah, e quantos Jesuses não morreram... Talvez até mesmo queimados ??

Que seja. Eu amo.




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Whisky com guaraná e gelo


Sei que levo carimbo de boi invisível no dorso. Sei que tenho marcas por tanto ímpeto que me vem como explosão dentro de mim, desde sempre. Eu sei que sou um exagero que prega o meio termo. Mas só desejo num querer tamanho até então.

A incerteza do talvez amarra minha garganta. Torna minha língua incapaz. E a boca sela a mente absorta colada na parede do quarto como foto antiga de uma lembrança inexistente.

Queria saber desenhar de verdade para não ter que falar palavra. Eu queria sabe pintar todas as cores só com grafite de lapiseira. E então jamais simular revelar o inexplicável com a inexatidão de uma metáfora.
Eu queria não ter olhos por um décimo de segundo. Nem jamais quis ver o que fala a boca dos olhos de um gesto quando ele dói.

Ainda assim, quando em silêncio fico com almofada comprimida à face. Achava eu que o silêncio era pros sábios. Mas quando silencio, solto; quando falo mato.

Talvez a sabedoria não esteja no silêncio, mas nas horas certas de falar e se calar.

Se calar não é ficar em silêncio. É não dizer.

domingo, 6 de dezembro de 2009

É madrugada. Qual é meu mérito de estar em pé antes do sol raiar, e qual é minha vergonha de sentar antes do almoço se não há motivo, nem platéia?
De que vale a impecabilidade sem palco? Muito. Mas esse muito cansa às vezes. E "às vezes" é muito e muito quando parece não haver sentido nenhum nisso.

"Montanha Mágica" fascina.
Eu quero um dia e sol e um copo d'água.

Não sei se meu pai vive. Minhas falas de que tive traços de ensinamento de secura e observação oriental me perseguem aos lábios até nos sonhos. Só nos sonhos pra que eu diga algo por estes dias...
Não tenho dito tanto a ninguém.
Me foi ferida exposta ver meu pai sem me ver. Numa cama encurvada como num campo de concentração de operados de peito aberto.
Desejaria eu ter o peito aberto sem saber dizer "eu te amo".
De qualquer forma julgo ter a dor te ter sabido (e isso ser vão), e tenho que disfarçar um pouco.

O pouco é quando vejo alguém. E tenho evitado ver pessoas.

Tenho que dizer que está "tudo bem", mas acabo não dizendo porque não sirvo pra isso. Meu pai servia, mas nem me reconhece... Meu pai só quer dormir. E eu nas madrugadas estranhas em meu quarto... Que vem mudado muito, e eu talvez não.

Minha mãe tinha ciúmes de meu pai quando eu era criança. Agora ela acha que faz mais por ele que eu.

Não sei medir ajuda, quando não se pode fazer nada. Não sei rezar, tampouco julgo saber agradecer.

Julgo ter mais do que mereço, mas não sei não ter se já tenho. Não sei senão que ter um pai cruel é pior que ver a crueldade franca de seu pai olhar disperso em seus olhos cheios de fios e agulhas e não saber quem és tu.

Como posso dizer isso a quem esbarro na rua? Não posso porque não é necessário. O mundo não pode parar porque algo na vida para. Mesmo que o mundo seja parte da vida e a vida parte do mundo. Não pode. E dói. As pessoas giram. Não sou muito. Nem nada pros outros e massa pro mundo, mas ele não para porque estaciono meus pensamentos absortos no não-reconhecimento, nas não-façanhas... Je ne sais pas.

Há um fogo absorto que queima sem arder as pontas de meus dedos sem brasão. Só escudo sem sentido. Sentido. Que queima sem arder.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ao nosso querido Ms. R. Willians...

Ah... Não que eu venha a estudar a etimologia das palavras, mas, até onde posso notar, "stripper" é um termo da língua inglesa e não da latina. Dá para notar, será?
Bem, se dá, se é tão óbvio que "stripper" é um termo que melhor se encaixa nos EUA, não tenho tanto a dizer sobre isso. (Inclusive os poetas americanos e os celebridades "pop" em seus saraus cheirariam mais de mil toneladas numa unica noite nalgum sarau daqueles atores que fazem filme e não arte..).

Ah...