segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A noite

A noite escorre 
em cada nota dançante,
escura
que percorre a obscuridade
de meus dedos
de meus medos
invisíveis,
secretos,
indivisíveis de mim mesma
e de tudo
o que eu deveria saber

domingo, 20 de abril de 2014

(SEM NOME)

Cai
Teu cartão de foto irrevelada
em flor
Molhada de cachaça

E tuas imagens digitais
sopradas em português lusitano
com certo calor de Norte

Bússola confusa
em plenitude

Proferindo
escalas e harmonias
que tanto sonho enquanto
paralelamente
toca batucada iorubá e violino.

sábado, 17 de agosto de 2013

PADARIA

Com os olhos inertes
a velha bebe
sua aposentadoria
num copo
E corpos ambulantes do outro lado
discutem a bíblia discutida
falam de apóstolos
exalam apostas
com seus hálitos inflamáveis.
Uma funcionária
ao mesmo tempo é três
sem ser consagrada.
E tudo isso é mastigado
pelos pratos nervosos
dos peões.

BAR DO PARQUE

Bacalhaus bovinos sussurram
tiros a queima roupa
engarrafados
escondidos nas latinhas
e em caixas banais
de instrumentos musicais ...

Vamos embora!

TÔNICA

Crepitam calores agudos
inalação seca montesclarense
evapora a cada passo
cadafalso
colapso mudo
A indiferença que mata
música sertaneja saindo de todo lugar
As árvores carregam sotaques
em cada nota musical
em cada toque do desejo dos ventos
nas folhas secas
esperando chegar
qualquer coisa que não exista
e que derreta os gelos
em toques de queimar a pele.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

AMEAÇA


Morderei as paredes das suas entranhas até seu sangue derramar beijos ácidos que me rasgarão da boca aos pés. E teu sexo exalará o último gosto que minha língua sentirá. Fulminando esse teu jeito de separar as coisas importantes das pessoas, dos desejos e do que eles têm a dizer.

sábado, 13 de julho de 2013

DESSE INSTANTE

Esse maldito espírito
entubado
Lacrado com rolha
pedindo goles
de veneno
Embriagando
a vida anestésica
Sinestésica
Exalando as orquídeas
de Itamar
Assunto
Ação.

terça-feira, 2 de julho de 2013

WHEN I ARRIVE AT HOME

QUANDO EU CHEGAR EM CASA
 
Como uma lagarta de fogo
minha respiração
queimará
a mão de tua alma
 
Assim que eu chegar ...
 
Como uma lagarta de fogo
Sussurrarei palavras rastejantes
e serei
a borboleta que jamais
pude ser em vida.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

DESEMPREGO

Vou pintar com meu hálito de álcool
minha imagem e semelhança suja 
no espelho.
Vou pintar com meu hálito sujo de álcool
o amarrotado de minha camisa
e de todas as roupas amontoadas na tábua.
Eu vou comprar mais álcool com esse álcool
que comprei sem dinheiro
e pintarei as poesias das paredes
dessa caverna alugada
desse casulo com prazo de validade
E vou tirar o pó que cobre o violino
para escondê-lo entre as páginas de um novo livro
que compõe tédio sem melodia
a cair em cada gota imunda
do hálito de uma infiltração que penetra
em meu cérebro
Penetra no lobo frontal de minhas incertezas
que sempre ressuscitam de tudo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

MEU AMOR,


São Paulo é assim:


Tu tampas os olhos das narinas
E fechas a alma sob a chuva seca
de trióxido de carbono
E então tua alma perambula
Permeando a grama de asfalto sujo
Nonde a grana é sugada 
Pelos olhos sem membrana
que borbulham rasgados
em cacos de passos
perdidos na espera
corrida e distante
sempre tão perto de tudo
Sacada de Estrelas


O nuance dos traços do teu corpo
gostosamente inerte se dissolvendo
na fumaça do cigarro estrelado
sorvido em goles de vinho
e em goles de...
Teu frio escorrendo no teu suor
Transpirado
Transfigurado em carícias e desejo
na tua saliva
dizendo meu nome tão nosso ...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fim de Fevereiro

Com tantas coisas
me deixo ao luxo de
parar
Pra impensar
os segundos que escorrem 
da janela
No cheiro do gole
que agora me equivale a garrafa
quebrando minha cabeça
em mil e treze peças
teatrais
no corre-corre ignorante paulistanês
me dou ao luxo de.
Parar no trânsito
de minha vida renovada
das cartas vencidas
Pago minhas multas
sem sanar minha vontade
de atropelar
os carros da faixa de pedestres
Dou-me ao luxo 
do inevitável engarrafamento de existir
Mas ainda pegarei estradas
retas e desertas
onde o motorista bêbado
me ultrapassará com seu hálito
e capotará
Me dou ao luxo de.
Ser assassina com os pensamentos
enquanto morro de
pânico ao andar nas ruas
vazias como
a engenharia de nosso passado
estruturado por órfãs e fascínoras
salivando meu nome anônimo
que impensa
tão inutilmente 
como se pensasse.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Teacher

Bebi Litros de sol
Almocei maçã
Fiz regime de condição
depois de meu banho
de transpiração doce.

E o aluno ainda queria
que eu sentisse dózinha
de sua vontade de ir ao banheiro.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Trem

      Um cara sem pernas percorre o trem numa prancha de rolemã. Uma mão empurra, a outra chacoalha as moedas numa caneca: Ele vende piedade.

domingo, 29 de janeiro de 2012

I


Por onde andar 
o primeiro andar
sem escadas
sem escalas
de notas
que percorro
explodo
na delicadeza muda
além do que se vê


II


Eu já disse 
o que não pensei
em dizer
Fazendo café 
levemente adocicado
Encanto te espero
chegar na sacada
com milhões de pombos
com cordas nos pés
Guardando bizarrices
na sala do quarto em tapetes
de pedaçoes de cetim
na mala
das individualidades 
que dividem cama 
e chama: 
a compreensão verdadeira do amor


Fazendo 
do costume novidade deliciosa
de se respirar

sábado, 28 de janeiro de 2012

Crohn

Fumando maconha enrolada 
no apocalipse
num
dia de sol em copo d'água...
Desejo de rios, árvores e montanhas
estampadas
num quadro não pintado
que canta
sorvete com cerveja
num domingo de sangue
em blues
Bebendo, castamente, 
libido líquida 
com o pensamento

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Novelos de Cetim

E aquela promessa
que fizemos de
não dormirmos
sem nos resolver


Hoje foi soma que
se desmancha
que nem 
fita de laço
em cima do
presente


(rodeado de 
passados que
não nos deixam em
paz no que é
maior que tudo,)
tudo

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

TURGIDUS


Osmose reversa de lágrimas
lavando desejos impermeáveis
Alma tangível por pele,
por tela,
que revela teu belo sexo
me chamando em francês sussurrado,
agramático,
tocado na rádio que sintoniza o vento
que passa
lento pela fresta
da greta
do meu tesão.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

QUILOGRANA

Carne vermelha tem gosto de morte
Como
Preguiça tem gosto de sono
em meio à desordem
que desce na pele descida
Decidida na bolsa de valores

   .Quanto vale o teu segundo?
    O meu vale um chá inglês
    colhido por mãos malaias
    cheias de sol e cicatriz
    e um suicídio coletivo na fábrica de xbox.

BROWN BLOOD


The family is a meat
full of worms

I'm a "life striker"
to survive

Gastritis on the heart
clashes and no love

No nothing on the rest
Longing about
that don't happen

An oasis
or heaven